Dino: governo prepara PL para regulamentação das redes sociais
Ministro da Justiça espera que a lei seja aprovada ainda neste ano
O ministro da
Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que, junto com a
Secretaria de Comunicação (Secom), a pasta está preparando proposta de
projeto de lei de regulamentação das redes sociais. A estimativa, segundo ele,
é encaminhar o texto - que já tem as linhas gerais definidas e unidade na
equipe de governo - para avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
na próxima semana. Dino informou que se o presidente concordar com a proposta,
o texto será encaminhado à Câmara dos Deputados.
“Já temos a
tramitação de um projeto de lei lá, sob a relatoria do deputado Orlando [Silva]
e a nossa ideia inicial é que o conteúdo seja aproveitado para qualificar,
e termos uma legislação moderna, adequada e que proteja as liberdades e
garanta, ao mesmo tempo, que a internet não seja uma guerra. Que haja dever e
cuidado por parte das empresas, e haja um sistema de responsabilidade, no caso
de cometimento de crimes por intermédio dessas plataformas”, disse.
Segundo o ministro,
o projeto em discussão na Câmara já passou pelo Senado e, aparentemente, vai
ocorrer mudança por parte dos deputados e isso implica no retorno à avaliação
dos senadores. Mesmo assim, ele disse esperar que a lei seja aprovada ainda
neste ano.
Dino lembrou que,
em paralelo, há duas ações diretas de inconstitucionalidade tramitando no STF.
“Haverá uma audiência pública no dia 28 de março, e claro, concluída esta
fase o Supremo também pode julgar, de modo que são dois caminhos diferentes que
irão se complementar, no sentido de termos novos marcos jurídicos sobre
internet no Brasil ainda neste ano de 2023, seja por deliberação do Congresso,
seja por deliberação do Supremo”, completou.
Em outra frente o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está preparado um relatório que também será
encaminhado ao Congresso. Segundo o presidente do TSE e ministro do Alexandre
de Moraes, a intenção é acrescentar sugestões ao PL de origem do Senado e em
tramitação na Câmara com relatoria do deputado Orlando Silva (PCdoB – SP).
Moraes acrescentou que, para concluir o trabalho, tem conversado com
representantes das redes sociais.
Para o presidente
do TSE, as discussões têm que levar em conta três pontos: a transparência no
uso dos algoritmos, o engajamento maior e a monetização das redes sociais. “Não
importa qual seja a informação, se está ganhando dinheiro tem que ter responsabilidade
pela informação”, disse.
Moraes defendeu
que, neste momento, para uma nova legislação, não precisa ser definido o
conceito de fake news, sob pena do país ficar sem uma regulamentação do
setor. “Não precisamos, de início, exigir que toda, absolutamente toda
informação seja checada pelas plataformas, mas podemos exigir estes três pontos
e que todas as big tecs tenham responsabilidade, com maior
transparência dos algoritmos. Há necessidade. A utilização de algoritmos faz
com que qualquer plataforma deixe de ser algo inerte onde se colocou conteúdo e
passou a atuar. Se passou a atuar pode ser responsabilizada”, apontou.
“O que você não
pode fazer na vida real, não pode fazer escondido nas redes sociais. É simples
isso. Agora, como responsabilizar, como ir atrás do anonimato, de redes sociais
que se escondem em paraísos não mais fiscais, mas digitais? Essa é uma outra
questão. Se nós não tivermos premissas sólidas para iniciar a discussão nós não
vamos chegar a lugar nenhum. A primeira premissa é: a lei vale para o real e
para o virtual.”
O presidente da
Câmara, Arthur Lira, defendeu equilíbrio na discussão do tema e que não se pode
permitir radicalizações de nenhuma das partes. Lira destacou que, desde a
aprovação do texto pelo Senado, muitos fatos ocorreram envolvendo a
participação em redes sociais. Para ele, é possível fazer um consenso entre as
propostas para a aprovação de uma lei para o setor.
“Caberá ao relator
Orlando fazer uma síntese de propostas que virão do Poder Executivo, do Poder
Judiciário, sociedade civil e órgãos interessados, para que a gente construa
realmente um texto adequado, que propicie as alterações que nós desejamos,
todos brasileiros, para que a liberdade de expressão seja preservada, mas, ao
mesmo tempo, a responsabilidade necessária com todos os caminhos adequados
tanto para as big tecs como para os usuários”, disse.
“É polêmico o tema,
é abstrato, é subjetivo, dito pelo próprio ministro que tem áreas escuras,
opacas, claras, então nós teremos um trabalho duro para aprovar este texto. Nós
não conseguimos sequer votar a urgência no mandato passado, mas a necessidade
de se chegar a um bom termo, em um tema que está desequilibrado, é importante
que todos nós nos empenhamos”, concluiu.
Na avaliação de
Lira o tema está bastante maduro em relação a sua espinha dorsal. “O poder
judiciário vai prestar algum tipo de contribuição ali pelo dia 15, 16 e o
relator já vem conversando com alguns assessores e com o ministro da Justiça
para também trazer para o plenário as contribuições do executivo. Por que isso
é importante? Porque são setores que vão influenciar na votação e na condução
dos votos para que a gente tenha a aprovação. De um lado, a gente não vai poder
traduzir com liberdade de expressão excessiva, em que tudo é permissivo e
também não só uma restrição punitiva.”
Seminário
Dino, Moraes e Lira
participaram no Rio, nesta segunda-feira (13), do Seminário Liberdade de
Expressão, Redes Sociais e Democracia, no Centro Cultural da Fundação Getúlio
Vargas, em Botafogo, na zona sul do Rio.
No mesmo encontro,
o ministro do STF Gilmar Mendes fez um relato de como este tipo de
legislação vem sendo tratada em outras partes do mundo. Ele disse que, no
Brasil, as discussões de regulação das plataformas adquiriram um renovado
fôlego, em razão do que chamou de "espantosos episódios do dia 8 de
janeiro de 2023".
“A brutalidade das
cenas de ataques às instituições democráticas fora antecedida da circulação de
conteúdo on line produzidos por grupos extremistas nos dias que antecederam os
atos de massacre e de terrorismo”, afirmou.
“Há uma grande
conscientização em curso de que os episódios cruéis vivenciados no início do
ano foram orquestrados virtualmente, sem que os intermediários que participaram
da difusão desses conteúdos tivessem adotado medidas mínimas para lidar com os
riscos sistêmicos gerados por comunicações odiosas”, acrescentou.
O seminário é uma
parceria do Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da FGV
Conhecimento, com a Rede Globo e apoio do Instituto Brasileiro de Ensino,
Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
A intenção é discutir, na perspectiva da democracia digital, temas como a governança digital contemporânea sob a ótica do Estado Democrático de Direito, e “questões transversais sobre proteção de dados, inteligência artificial e suas regulações, tecnologia, comunicação e liberdade de expressão”.
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